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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Tristeza - Uma carta que fiz pra ele ler...


 Feitor....por favor leia com calma e devagar, pois foi assim que escrevi.

Eu resolvi escrever pra poder colocar meus pensamentos no lugar e organizar meus sentimentos. Últimamente não tem sido fácil. Sinto uma grande tristeza em mim, um sentimento de incapaz. INCAPAZ de mostrar pra você a felicidade de uma vida a dois, plena. Dói se tornar desimportante pra pessoa que a gente gosta., quando não se vê nos olhos do outro, o brilho, a respiração mudando, a necessidade de beijar a boca, de tocar a pele, de encostar... Tudo isso se esvaindo aos poucos. 

     Eu sabia que você era fechado quando nos conhecemos, e mesmo assim achei que podia dar certo, estava muito apaixonada e adorava o seu jeito cheio de mistérios, que um dia podia ser só o jeito. E acima de tudo eu sentia seu desejo, e sentia que você estava disposto a ser meu, em muitos sentidos....
     Me lembro de quando íamos à boates no clima escuro e bem sensual, as vezes que tentei te seduzir , me esfregando em você, cheia de tesão, esperando que você correspondesse, não pra transar alí, óbvio que não, mas pra que você me mostrasse seu desejo, seu sexo crescendo por minha causa....  
   
     Mas não há descontração, nem podemos conversar  da nossa própria intimidade. Isso é sinônimo de briga, e longas discussões... Falar de sexo é campo minado.
     Esta condição que vivemos hoje, traz na minha memória todas as pessoas que tive relacionamento sexual. As palavras descontração, diversão, alegria, satisfação, ausência de tensão, e plenitude  me vêm à memória. Com você, já fomos assim, bem no início, você era mais descontraído, mais disposto, na chácara na piscina, na casa da sua mãe....
   As coisas foram ficando mais sérias, e surgiram mais responsabilidades e você foi ficando mais tenso. Mais fechado.
   Você exerce um domínio sobre mim na nossa vida pessoal. Você diz que sou autoritária, mas não tenho domínio sobre você, se eu tivesse, não estaria reclamando. Essa observação  é fácil de ver, não sou só eu quem te digo. Já conversamos sobre isso, sempre dançamos conforme a sua música. Eu tenho uma natureza submissa, e acredite ela é mais forte na cama. Eu queria muito que você exercesse este domínio sobre mim na cama também. 
Sendo direta: Se eu fosse bem comida, não estaria reclamando de nada...Eu realmente ia ser mais feliz se soubesse que você me deseja tanto quanto eu sempre desejei você. Sentir que sou querida, que podemos nos desligar do mundo se pararmos pra dar uma rapidinha, pra extravasar..... 
 Estamos fingindo que sexo não importante... Enganando a quem?

sábado, 22 de dezembro de 2012

PARA ONDE CAMINHA O AMOR - Flávio Gikovate





A capacidade para uma razoável auto-suficiência é uma das mais importantes aquisições do homem contemporâneo. Ela é fruto do empenho que tanto temos feito na direção do autoconhecimento e da introspecção. O progresso tecnológico, que nos deu a televisão, o videocassete e tantos outros equipamentos, também tem contribuído para que as nossa horas solitárias sejam passadas de modo agradável e rico. Com tudo isso, é natural que muitos de nós prefiram ficar sós a estar mal acompanhados. Maus casamentos, suportados apenas em razão das inseguranças e medos de se enfrentar um futuro incerto e eventualmente solitário, estão com os dias contados.

As relações ricas, plenamente gratificantes, baseadas no respeito mútuo, na compreensão e no desejo profundo de contibuir para que a pessoa amada seja o mais feliz possível continuarão a existir e a florescer como vida em comum. Isso , desde que não existam impedimentos externos comprometedores (filhos de relacionamentos anteriores com atitude destrutiva, graves dificuldades financeiras e divergências práticas ou filosóficas de monta), que podem ir minando as bases da aliança afetiva. Mas quantos são esses casamentos? Uns 10%? Talvez nem isso.
O que está ocorrendo, a meu ver, é uma importante modificação nas pessoas capaz de levá-las a olhar melhor o fenômeno do amor e a instituição casamento. Como não estão mais desesperadas para se unir a alguém a qualquer custo, podem, em primeiro lugar, compreender que o amor é uma coisa e o casamento é outra.
O amor é uma sensação de paz e aconchego que sentimos quando estamos junto de uma pessoa, que por inúmeras razões, se tornou especial e única para nós. O casamento é uma sociedade civil complicada, ultimamente mal sucedida e geradora de conflitos. Ele terá de ser olhada à luz da razão e não do ponto de vista do amor. É lógico que ninguém vai querer morar junto com alguém que não provoque prazer romântico. Mas não é só isso o que determinará o estabelecimento da sociedade conjugal.
Dificuldades práticas de convívio levarão as pessoas, segundo creio, a estabelecer um convívio em termos de namoro: cada um viverá em sua casa, com suas finanças próprias, seu estilo de vida e seus problemas individuais. Se as dificuldades objetivas não existirem e se houver metas em comum que justifiquem o estabelecimento do vínculo societário, aí então as pessoas irão estabelecer matrimônio. É o caso, por exemplo, dos casais que efetivamente desejam ter filhos e patrimônio em comum. A freqüência de casamentos será muito menor, mas a qualidade deles tenderá a ser melhor. E quem não quiser esse tipo de vida ficará sozinho e buscará a felicidade por outros caminhos.
Flávio Gikovate